quinta-feira, 24 de março de 2016

PÁSCOA



SERÁ QUE A PÁSCOA E A Lei de Newton têm a ver CONOSCO?
Já é Páscoa de novo. Cada ano que passa parece correr ainda mais rápido, como se o gargalo da ampulheta se alargasse e deixasse cair cada vez mais areia. Acho que é uma mistura da idade chegando com a rapidez da vida moderna. Ou então é porque nunca dá tempo de fazer tudo que a gente quer.
Domingo de Páscoa é uma daquelas datas que fazem a gente pensar, independente da religião que seguimos. Para os cristãos, marca a ressurreição de Cristo; para o Judaísmo, representa a passagem do Mar Vermelho no Egito até a Terra Prometida. Acho que essa palavra é uma tradução do espírito da data: ‘passagem’.
Apesar dos significados diversos, é possível perceber características comuns nas expressões ‘ressurreição’ e ‘passagem’, não? Ambas dizem respeito a mudanças radicais, formas diferentes de encarar a existência... enfim, novas visões de vida.
Dito isso, vamos a outro ponto: acreditamos que o homem tem a tendência de permanecer no estado em que se encontra. É físico, mas também psicológico. É por isso que muitas vezes qualquer mudança é vista como negativa. Discordo. Acho que mudanças são invariavelmente boas, ou pelo menos têm seu lado positivo.
De acordo com a primeira Lei de Newton, ‘todo corpo continua no estado de repouso ou movimento retilíneo uniforme, a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. Traduzindo isso para a nossa vida prática, nós diríamos que existem em nós a tendência a nos acomodar na situação em que nos encontramos, a menos que sejamos obrigados por alguma ação externa.
A teoria de Newton fala ainda em movimento retilíneo uniforme, que pode ser traduzido para o popular ‘devagar e sempre’. A atitude pode ser vista como uma série de mudanças lentas e constantes que geralmente nos ajudam e facilitam a adaptação ao novo.
Newton não explicou como isso se aplica ao comportamento humano, mas vamos arriscar: há pessoas com tendência maior ao repouso; outras se identificam mais com o movimento retilíneo uniforme.
Acostumados ao repouso, os ‘acomodados’ sofrem mais com mudanças. Para eles, mudar envolve um esforço doloroso que pode até desestabilizar outros aspectos da vida durante o processo. Já os acostumados com o movimento uniforme estão acostumados a evoluir, e por isso se adaptam melhor a novos cenários.
Tudo isso para dizer o quê? Que ser acomodado é perigoso, porque é aí que entra a parte final da Lei de Newton, ‘a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. E ninguém está imune às forças aplicadas a nossa vida por agentes externos. Pode ser nossa família ou nosso chefe ou coordenador, mas também pode ser um evento sobre o qual não se tem controle nenhum. É impossível fazer planos contra o acaso.
Lembrando da Páscoa de 2015, percebo também que um ano é um bom período de tempo para avaliar como andam as coisas. Por exemplo, o que aconteceu na nossa vida de um ano para cá? Tentemos lembrar o que nós estávamos fazendo na Páscoa de 2015: as coisas melhoraram ou pioraram desde então? Tomara que tenham melhorado. Até porque, se não melhoraram… a culpa é nossa.
E a vida amorosa, como vai? Tomara que esteja tudo bem. Mas se, por acaso, o nosso relacionamento está ruim há um ano... tudo leva a crer que ele vai continuar assim e que nós vamos sofrer mais um ano. Em vez de nos xingar por achar que estamos desejando o nosso mal, façamos alguma coisa a respeito.
Saia para jantar, dar flores, façamos qualquer coisa, mas melhoremos essa situação hoje, por favor. Só depende de nós.
Um ano é tempo suficiente para dar uma guinada na vida. Afinal, nós temos pelo menos 365 chances para fazer isso. Não esperemos um post na Páscoa de 2017, para perceber que tudo poderia começar a ser diferente desde agora.
Olhemos para as pessoas que está ao nosso lado. O que nós fizemos por elas no último ano? Ou melhor, o que nós fizemos por ‘nós’? Talvez nós não nos lembramos do número exato, mas quantas vezes nós saímos para jantar de um ano para cá? Só isso? E aquele fim de semana a dois na praia, foram quantos? Na dúvida, devemos nos divertir. A vida é muito curta.
Na Comunidade, qual foi a ideia genial que nós apresentamos; e no nosso trabalho na Igreja, na Pastoral, no Sindicato, na Central de Trabalhadores, no Partido Político, no Movimento Social e em outras atividades no último ano? Quantos projetos, quantas novas abordagens? Gente quem se acomoda profissionalmente é como gente que se acomoda no relacionamento: fica para trás.
Domingo de Páscoa é um bom dia para se pensar em uma nova vida.
Façamos como Jesus Cristo: ressuscitemos.




terça-feira, 15 de março de 2016

O LIBERALISMO ECONÔMICO, MATA DE FOME



A iniquidade do modo de produção capitalista, consiste em dar prioridade ao mercado, ao lucro, ao capital financeiro em vez de reconhecer e prover, em primeiro lugar, a dignidade da pessoa e o acesso dos pobres a níveis dignos de alimentação, trabalho, moradia, saúde, educação e lazer.
A acumulação de capital, ostentada pelos meios de comunicação, especialmente pela tv, cria e reforça, no inconsciente coletivo, a mentalidade de que o dinheiro é que traz felicidade, mesmo atropelando valores morais e éticos. Esta concepção falaciosa, como um vírus, penetra não só a população rica, mas cria nos pobres o sonho de ascender a uma sociedade opulenta, imitando os padrões de consumo da elite enriquecida.
A conjunção destes vários fatores provoca as gravíssimas consequências da miséria do Brasil e em tantos outros países e requer uma definitiva transformação desde a lógica do mercado, hoje globalizado e fora do alcance de controle social ou político, até dos hábitos e motivações pessoais marcados pelo consumismo e ambição de riqueza.
É inadmissível o contraste entre a situação de miséria e degradação do povo sofrido, refugiado nas favelas, cortiços, e periferia das cidades, que chega a recorrer à prostituição e até ao tráfico de drogas para sobreviver, e o luxo e sofisticação de condomínios fechados, construções suntuosas e desperdícios de riquezas, sem consideração pela miséria envolvente. O mais triste para a consciência humana é o fato de que a escandalosa desigualdade acontece, infelizmente, pela falta de ética e de moral na política, criando ofuscamento da consciência, frieza e alienação diante do sofrimento humano e descrédito para com as instituições.
A injustiça social assume proporções de ofensa a dignidade humana. O resgate da dignidade dos pobres não pode se limitar à assistência emergencial, mas exige a transformação do modo de produção, do modelo econômico perverso e buscar o bem comum.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

DELAÇÃO PREMIADA



“Por trinta moedas de prata, Judas chamado de Escariotes, denunciou Jesus como chefe de quadrilha. Jesus foi condenado pelos juízes a morte de cruz, pois, o único objetivo era eliminar o Mestre Jesus”.  (cf Lc 22, 3-6)